Churros com Limonada

quinta-feira, março 29, 2007

Se não tem pão, que comam os brioches!

Fui ver ontem 'Maria Antonieta', o nome filme da Sofia Coppola. Estava meio na dúvida se assistia ou não porque tinha ouvido algumas críticas ruins. Mas no fim, essa expectativa negativa foi até melhor, porque fui sem esperar muito e adorei o filme!

Não tem a mais célebre fala dela (se não tem pão, que comam os brioches). Quer dizer, até tem, mas a versão é outra. A Maria Antonieta que se vê no filme é uma adolescente como outra qualquer: que gosta de cachorro, muitas festas, roupas, sapatos e homens bonitos. Como eu e todas as minhas amigas fomos. Para mim, fica essa impressão: que qualquer uma poderia ter passado pelo que a Maria Antonieta passou, bastava ter nascido ela.

Tudo bem que a visão de uma menina que cai de pára-quedas na corte francesa é bem benevolente e até um pouco ingênua. Afinal de contas, quem nascia na realeza naquele tempo tinha um boa idéia do que lhe esperava e era especialmente treinada para isso, como bem lembrou uma colega de trabalho.

Mas o filme não perde por isso. A mistura do figurino de época com músicas atuais (e muito boas, diga-se de passagem) dão um charme especial. Impossível não querer estar na festa que Maria Antonieta dá ao som de "Hong Kong Garden" da Siouxsie And The Banshees. Sem comentar o Conde Fermse (foto). Nossa senhora!! Queria um para mim também! E o Palácio de Versalhes, sempre deslumbrante.

O filme me deu vontade de pesquisar mais sobre Maria Antonieta. E de ver um filme parecido, ou seja mais real e humanizado, sobre Sissi – a Imperatriz que, pelo que andei pesquisando, também era outra maluquete.

terça-feira, março 27, 2007

Daslusp e cursos inúteis

Não é de hoje que eu tenho implicância com essas chamadas 'Casas de Cultura'. Quando soube que uma fundada em SP ia chegar ao Rio, achei que seria uma ótima oportunidade para poder estudar algo, sem necessariamente ter que escrever uma monografia e/ou apresentar uma tese. Estudar é bom, mas às vezes dá mais trabalho do que a gente gostaria ou poderia ter.

Qual não foi a minha surpresa quando, ao entrar no site, me deparei com uma lista de cursos cujos títulos, apesar de bastante enigmáticos, não diziam absolutamente nada. E pior: com um preço para lá de salgado. O curso sobre 'A ousadia do riso', por exemplo, não custava menos de R$ 600 e eram apenas oito aulas se não me engano (Na boa, qual é a ousadia de rir?).

Nesta segunda, lendo a 'Folha', encontrei uma matéria ótima: " Prof. Paulo dá aulas de rock na Daslusp". A Daslusp em questão era a tal casa de Cultura. A-DO-RE-I. Mas o melhor fica por conta do curso. Era sobre a história do Rock, que vá-la não é um tema tão ruim (mas custa R$ 360 por quatro aulas), mas conta com o ex-RPM Paulo Ricardo como 'executor' das músicas citadas pelo professor Cadão Volpato (Ai, Cadão, que mico, hein!!).

Segundo a matéria, a cada aula Paulo Ricardo toca as músicas da época apresentada pelo professor. Na que a equipe da Folha acompanhou, sobre os anos 80, ele tocou "Exagerado" (Cazuza), Psycho Killer" (Talking Heads), "Save a Prayer" (Duran Duran), "Killing Moon" (do Echo and the Bunnymen), que arrancou aplausos da platéia composta por senhoras (olha a foto), segundo um amigo o público alvo dessas casas de cultura.

Sem querer ser ácida, mas sendo, é o tipo de emprego para músico em começo de carreira ou em fim de linha, querendo voltar, não? Aliás, qual será o cachê que ele ganha para isso? Se o curso é R$ 360 não deve ser lá muito polpudo.

Juro que se entro num curso desse (Deus permita que isso nunca me aconteça) e dou de cara com o Paulo Ricardo, saio correndo da sala.

segunda-feira, março 26, 2007

Os pensamentos do peixe

Se eu fosse uma editora, já teria convidado Romário para publicar um livro só de frases espertas. Depois da clássica "O cara nem entrou no ônibus ainda e já quer sentar na janela", leio - com atraso - a filosofia do Baixinho sobre sua fama de bad boy no futebol: oras, "Quem tem que se preocupar com boa imagem é aparelho de tevê"!

É um poeta. Atualmente, nota 999.


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Para quem só vê o lado fanfarrão e gaiato do Peixe - o que possivelmente reprensenta 99% de sua personalidade -, vale conferir o discurso que ele fez em Brasília, semana passada, no dia da Síndrome de Down. Foi surpreendente, nada piegas, emocionante e, principalmente, inteligente.

Sabiamente, ele também explicou a decisão de não seguir a carreira de técnico quando parar de jogar: "Como vou ter moral para mandar alguém treinar?".

sexta-feira, março 23, 2007

Dançando e viajando

Duas das coisas que eu mais gosto nessa vida são dançar e viajar. Não sei nem dizer qual é a minha preferida. Essa semana, descobri, por acaso, que um americano conseguiu unir as duas de uma maneira muito bacana.

Matt Harding, de 29 anos, largou o emprego e decidiu dar a volta ao mundo dançando. Mas nada de dança séria, ele resolveu viajar e levar uma câmera para gravá-lo fazendo uma dança boba, que ele costumava fazer para divertir os amigos. Postou no You Tube o resultado. Conclusão: virou uma espécie de celebridade e ainda conseguiu o patrocínio de uma fábrica de chicletes. Essas coisas só acontecem nos EUA, né não?

E em pensar que tudo começou porque um amigo resolveu dizer que o cara devia fazer a dança boba dele em tudo quanto é lugar do mundo… Por que EU não tive essa idéia? E olha que adoro uma dança boba!

Para quem quiser, aqui está o link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=bNF_P281Uu4
Vale a pena dar uma olhada. É muito fofo e divertido!

quinta-feira, março 22, 2007

Faltou só dizer...

...uma coisa: Limonada, escolheu um bolo que combine com você hoje? ;)

Vino

Já tentou sair da rotina? Sem querer, ontem foi um desses dias. Comecei cedo, bem cedo. Por obrigação. Tinha um encontro de trabalho às seis da manhã, em ponto. Acordei às 5h, saí de casa e o dia ainda não tinha clareado. Ao meio-dia, o corpo já não me obedecia mais. Eu trocava as pernas mesmo, enquanto pensava mais uma vez: “A idade é realmente cruel com o nosso organismo”.

Só me livrei da escravidão às 17h. Aproveitei pra assistir a um filme com o dia ainda claro. Era sobre a paixão, consumada, de uma professora de 40 pelo aluno de 15. Hum...Então, filme visto, a zumbi entrou no supermercado, nem sei bem por quê. Encontrei um vinho difícil e irresistível na prateleira. Mais uma quebra: em vez do tradicional cabernet sauvigon, optei por um malbec. Juntei com um saco de macarrão e molho de tomate e parti.

Vinte e um de março de 2007. Noite. Preparei um jantar romântico. Pra mim e myself, "be my guest". Pela primeira vez. Quem me conhece bem pouquinho mesmo sabe que isso sim é sair da rotina. Também não gosto de beber sozinha. E, finalmente, usei meu novo fogão pra algo diferente de ferver água. O imprevisível continuou: pus o macarrão no fogo e vi uma barata na porta. Gastar meio spray de SBP na cozinha foi o maior corta onda. Mas não queria me abater.

Terminei a pasta e ficou meio grudada. Encharquei de molho e fingi que não vi. Ao tentar abrir o vinho, o saca-rolha quebrou dentro da garrafa. Xinguei gerações, pensei em todas as leis de Murphy, estava quase chorando e entendi por que o ser humano precisa fazer terapia. Marquei a minha! Beber um dos meus vinhos preferidos, sozinha, em casa, tinha virado a maior tortura. Também serviu para comprovar que o defeito do meu signo é a persistência e a teimosia. Não dá pra descrever o quanto eu suei – e demorei - pra conseguir tirar o ferro quebrado de dentro da cortiça.

Servi perfeitamente a taça e bebi. Enquanto isso, graças a Deus, Nina Simone cantava:

"My baby don't care for shows
My baby don't care for clothes
My baby just cares for me"

Foi um dos melhores goles de vinho da minha vida.

segunda-feira, março 19, 2007

iPod x Individualidade x Mercado = Costumes?


Assisti a uma aula de marketing, na semana passada, em que o professor falava da evolução de um mercado que hoje tem como maior característica o individualismo. À certa altura, ele deu o exemplo mais manjado sobre o assunto, perguntando:

- Qual foi a última vez que você jantou em casa com toda a família reunida?

Ok, você venceu e estou cansada de saber disso. No meu caso, não tenho a menor idéia de quando foi a última vez. Mas também é verdade que minha mãe, por exemplo, deixou de cozinhar no expediente noturno há muito tempo. Então, convites para este horário são raridade, a não ser que a casa tenha entrando em acordo no sabor de uma pizza. E, claro, que me convide para o banquete.

Bom, pensei em tudo isso em frações de segundo e continuei achando o exemplo muito batido, até que o professor veio com outra pergunta.

- Há quanto tempo você não ouve música com alguém?, ele questionou, emendando: “Quando eu era jovem, me juntava com amigos em casa só para ouvir música!”.

Eu também! Eu também, professor! Meu Deus! Mal lembrava disso. Como a vida mudou desde a época em que eu e minhas amigas Mari e Flá pegávamos emprestado, escondido, todas as fitas cassete dos irmãos mais velhos delas! Foi assim que a gente descobriu amar Echo & The Bunnymen e ouviu pela primeira vez a voz grave de Lloyd Cole and the Commotions.

Enquanto o professor falava na aula, eu “nostalgiava”. Durante um tempo, eu e Mari nos viciamos em desenhar novelas. A gente criava as historinhas, os personagens, os desenhos e ficava horas calada., rabiscando nas folhas do caderno. Depois, eu lia a novela dela e vice-versa. Hoje acho isso engraçado, porque era uma atividade individual. Mas a gente preferia fazer junto.

Pensar nisso me deixa curiosa para saber como as crianças de hoje se relacionam. Acho que fazem sexo muito mais cedo. Quatorze, quinze anos??... Mas não é disso que estou falando. Queria saber se na era de games, internet, telefones celulares, câmeras digitais e i-pods as crianças brincam de pique-bandeira ou se escondem-se no quarto escuro, gritando gato-mia.

A tecnologia nunca me pegou de jeito. Não tenho dúvidas de que é maravilhosa, mas se me oferecessem uma viagem a Cuba ou uma tevê LCD de última geração (essas coisas não acontecem comigo! não ganho nem sorteio de água mineral), provavelmente ficaria com a viagem. E olha que já fui a Cuba. Hum...se bem que uma tevê de LCD, magrinha, combinaria direitinho com um estreito móvel que tenho na sala...É, nos últimos tempos fiquei obcecada com a idéia de ter um iPod. Depois de muito pesquisar, acabei comprando o mp-3. O resultado? Demorei oito meses para ter saco de ler o manual e incluir novos discos nele.

No Rio, tenho medo de usar o iPod por causa de assalto. Em casa, não faz muito sentido: se tenho som e computador, por que ouvir música com fone no ouvido? Até faço isso de vez em quando, só pra gastar, mas me sinto meio idiota. E, além do mais, acho que devo ser solidária, generosa e - indo contra o mercado individualista - compartilhar meu gosto musical com meus queridos vizinhos que me obrigam a ouvir funk e outros dances da moda.

Outro objetivo: estou armazenando cada vez mais CDs. Ando com a idéia de dar uma festa, ser DJ, plugar o mp-3 em potentes caixas de som e ouvir música com meus amigos!

terça-feira, março 13, 2007

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Em 2004, 'Brilho Eterno de uma mente sem lembranças' estreou nos cinemas mostrando a história de um casal que se separa e apela para uma cirurgia para apagar as memórias um do outro. O que parecia apenas uma obra de ficção pode deixar de ser em um futuro não muito distante. Saiu na Folha de São Paulo hoje que um grupo de pesquisadores da Universidade de Nova York conseguiu apagar a memória traumática de ratos, sem afetar outras lembranças do animal.

Eles não pretendem ficar só nos experimentos com os ratos. Vai chegar a hora dos humanos também."Queríamos ir mais rápido nos estudos com humanos, mas temos dificuldade para recrutar os tipos certos de pacientes e para obter todas as autorizações necessárias", contou o cientista responsável.

Não que eu tenha muitas coisas que gostaria de esquecer, até porque algumas meu cérebro já fez o favor de apagar sozinho, mas uma ou outra... não caía nada mal. Muito pelo contrário. Até porque, as piores, as que a gente se envergonha ou se arrepende mais, infelizmente nunca esquecemos.

PS - Nem precisa dizer que eu amo esse filme!

quinta-feira, março 08, 2007

Dia Internacional da Mulher

Girls can wear jeans
And cut their hair short
Wear shirts and boots
cause its ok to be a boy
But for a boy to look like a girl is degrading
cause you think that being a girl is degrading
But secretly youd love to know what its like
Wouldnt you
What it feels like for a girl

Silky smooth
Lips as sweet as candy, baby
Tight blue jeans
Skin that shows in patches
Strong inside but you dont know it
Good little girls they never show it
When you open up your mouth to speak
Could you be a little weak

Do you know what it feels like for a girl
Do you know what it feels like in this world
For a girl

Hair that twirls on finger tips so gently, baby
Hands that rest on jutting hips repenting
Hurt thats not supposed to show
And tears that fall when no one knows
When youre trying hard to be your best
Could you be a little less

Ninguém melhor para resumir isso que a Madonna!

segunda-feira, março 05, 2007

Civilidade ou frescura?

Colega belga-flamenga foi ao cinema em Bruxelas, cidade onde mora. Como a capital belga é majoritariamente bilíngüe, todos os filmes devem ter legendas em Francês e Flamengo (a terceira língua oficial é o Alemão, falado por uma pequena parcela da população).

O filme alemão que ela decidiu assistir só tinha tradução para o Francês. Mesmo falando fluente Francês, quando acabou a sessão ela resolveu reclamar porque deveria ter também a legenda em Flamengo. Para se desculpar, a bilheteira resolveu devolver o dinheiro do ingresso.

Sinceramente, até agora eu não sei se o caso foi de civilidade ou frescura.

domingo, março 04, 2007

A lista

Quatro motivos pra você TOMAR uísque numa festa

1. uísque é anestésico
2. quando você está sobre um salto de sete centímetros e seus pés estão em frangalhos, você tem a idéia genial de adotar o motivo número 1.
3. para achar que nenhum desempenho na pista de dança chega a seus pés (doídos)
4. para só perceber em casa que os cacos de vidro entre os dedões estão incomodando


Quatro motivos para você NÃO TOMAR uísque numa festa

1. para não ter coragem de tirar o sapato na pista de dança
2. para não terminar a noite - ou melhor, começar a manhã - na Pizzaria Guanabara. E pior: comendo pizza.
3. para não dormir às 6h e acordar às 10h simplesmente porque perdeu o sono
4. depois disso, para não olhar no espelho e perceber que seu olho e travesseiro estão todos borrados de preto

sexta-feira, março 02, 2007

Mais uma vez...no banco de trás

Cheguei à conclusão de que tenho uma cara confiável. Pelo menos à classe taxista. O relógio marcava meia-noite, entrei no carro e disse para onde queria ir.

- Eu tô muito mal hoje!, respondeu o motorista

Fiquei totalmente ressabiada. Tinha achado a cara dele meio "bêbada". Então, pus a mão na maçaneta, esperando qualquer sinal para abrir a porta e me jogar do carro. Claro que, antes, fui educada:

- Por quê?, perguntei
- Fiquei desmaiado mais de três horas hoje.
- Como???
- Acordei às 17h para trabalhar, fui ao banheiro e não sei...Quando acordei de novo, me senti imprensado entre o vaso e a pia. Olhei o relógio e eram oito da noite!!! Fiquei três horas desmaiado ali e não sei o que aconteceu

Eu me assustei um pouco, imaginando que ele podia desmaiar a qualquer hora, sendo que ele estava no volante e eu, no banco do trás. Fiquei meio confusa, pensei em várias outras coisas também, mas achei melhor dar prosseguimento à conversa:

- Você está sentindo alguma coisa agora?
- Agora não. Minha saúde é boa...Quando acordei, até achei que minha casa podia ter sido invadida e que tivessem me batido, mas depois vi que não. Fiquei três horas desmaiado e eu moro sozinho. Estava sozinho...

Nessa hora a voz dele ficou embargada, como que pedindo colo. Ele continuou:

- A única coisa estranha que senti foi uma dor de cabeça muuuito forte no domingo de Carnaval. O pior de tudo é estar sozinho; não tem ninguém te vendo. Eu moro sozinho...Fiquei lá, completamente sozinho, por três horas...Ninguém sabia de mim.

E começou a chorar. Era o segundo taxista que chorava comigo, no espaço de três semanas.

- Você tem que ir no médico AGORA. Fico aqui e você vai direto ao hospital, eu disse sinceramente aflita. Não quis assustá-lo, apesar de me parecer algo grave. Então, lembrei a ele o caso da Malu Mader, que tinha um cisto benigno no cérebro, mas foi detectado logo e ficou tudo bem etc.

- Tenho um irmão em Copacabana. Vou até a casa dele para irmos juntos
- Faz isso agora, por favor!, eu recomendei.

Saltei do carro, primeiro achando que esse divã taxista que está se tornado rotina é, no mínimo, surreal. Depois, me senti até má por ter pensado isso. São pessoas, oras, que têm suas vidas, sentimentos e o silêncio estranho. A coincidência é que eu "ouço" suas vidas. Fiquei pensando que, apesar da minha cara confiável, os taxistas devem ser muito solitários.

xxxxxxx

Eu realmente espero que o motorista esteja bem. Já deitada na cama, me bateu um enorme remorso por não ter tido a idéia (eu nem pensei nisso!) de acompanhá-lo até o hospital.